Política de Transformação do Exército Brasileiro: A Nova Organização da Força Terrestre

ST Sionir Rafael - CComSEx (Exército Brasileiro)

A Força Terrestre aprovou, por meio da Portaria C Ex nº 2.662, de 9 de abril de 2026, a nova Política de Transformação do Exército Brasileiro. O documento foi publicado no Boletim do Exército nº 17, de 24 de abril de 2026, e estabelece diretrizes estratégicas para modernizar e adaptar a instituição aos desafios geopolíticos, tecnológicos e orçamentários do cenário atual.

As ações de transformação devem ser aceleradas de imediato, com atualizações no Plano Estratégico do Exército (PEEx) vigente (2024-2027), que serão plenamente materializadas a partir do próximo ciclo (2028-2031), permitindo que o Exército responda de forma tempestiva às dinâmicas do ambiente estratégico contemporâneo.

A Política reconhece que os recursos destinados à Defesa devem permanecer, em princípio, abaixo das necessidades estratégicas. Diante disso, estabelece a adoção de critérios rigorosos de priorização, otimização organizacional e eficiência gerencial

Além disso, busca a incorporação de novas tecnologias e a evolução do espaço de batalha, com seus impactos sobre o caráter da guerra moderna, que orientarão todo o processo, sempre em estrita observância aos Planos Estratégicos de Emprego Conjunto das Forças Armadas (PEECFA).

Centro de Comunicação Social do Exército - Divulgação 

O caráter nacional do Exército Brasileiro será preservado por meio da Estratégia da Presença em todo o território nacional, garantindo capilaridade e capacidade de pronta resposta. O processo de transformação será conduzido prioritariamente pela criação de uma mentalidade de transformação nos quadros da Força, pela rápida incorporação, adaptação e aperfeiçoamento de capacidades que assegurem a dissuasão estratégica e as condições necessárias à defesa da soberania.

Nesse contexto, entre as metas estabelecidas, destaca-se a garantia de que, no mínimo, 20% dos efetivos das forças de emprego mantenham elevado grau de prontidão e resiliência. A estrutura organizacional deverá permanecer alinhada aos PEECFA, assegurando interoperabilidade e eficácia do poder militar conjunto. O processo será acompanhado por metas, indicadores e mecanismos sistemáticos de avaliação previstos no PEEx. Outro ponto relevante é o reconhecimento da mobilização nacional como fator essencial para o fortalecimento das capacidades militares terrestres.

ST Sionir Rafael - CComSEx (Exército Brasileiro)

A transformação estruturar-se-á em quatro eixos principais: Desenho Institucional, Capacidades, Doutrina e Pessoal, e prevê a implementação de reorganização nos macrossistemas da Instituição. 

A Força será organizada em grupos de emprego alinhados às ameaças e aos PEECFA: as Forças de Emprego Imediato (FEI), responsáveis pela resposta inicial junto às fronteiras ou áreas de potencial crise; as Forças de Emprego de Prontidão (FEP), aptas a atuar em qualquer parte do território ou áreas de interesse nacional com elevado poder ofensivo; as Forças de Emprego Continuado (FEC), fundamentais para dissuasão, presença, defesa territorial, formação de reserva mobilizável e apoio ao Estado em conflitos prolongados; as forças de emprego no multidomínio, capazes de integrar a Força Terrestre Componente (FTC) ou Comandos Conjuntos; e os módulos de apoio ampliado, destinados a prover sustentação essencial à FTC.

Centro de Comunicação Social do Exército - Divulgação 

Complementarmente, a Política determina o prosseguimento da rearticulação da Força, otimizando as organizações militares, a redução de estruturas administrativas e operacionais que não agreguem poder de combate e letalidade, a consolidação do Corpo de Exército como escalão ideal e o fortalecimento da Divisão de Exército para operações multidomínio. 

Não obstante, busca-se modernizar os sistemas convencionais de emprego em combate, priorizando letalidade, proteção, sustentação e mobilidade, além de aperfeiçoar as capacidades ligadas à superioridade de informações e à proteção. A nova Política de Transformação representa um marco na evolução do Exército Brasileiro. Ao equilibrar tradição, presença nacional e modernização, o documento busca preparar a Força para os desafios do século XXI com realismo, eficiência e foco na defesa da soberania.

Ademais, há outras disposições na política aprovada pelo Exército Brasileiro que não foram abordadas aqui, como transformações doutrinárias, de pessoal e capacidades.

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