Avibras volta a operar na segunda-feira após anos de paralisação

Após cerca de quatro anos de paralisação, empresa estratégica ressurge com nova estrutura, capital privado e foco em expansão sustentável.

Sistema ASTROS. Foto: Exército Brasileiro 

A indústria de defesa e aeroespacial do Brasil recebeu uma notícia muito positiva. A Avibras Aeroco, que reúne os ativos estratégicos, o portfólio tecnológico e a expertise da tradicional Avibras Indústria Aeroespacial, iniciou oficialmente suas operações com capital privado nacional, nova governança e uma visão de expansão sustentável. A retomada das atividades industriais está marcada para segunda-feira, 4 de maio de 2026, no período da manhã, na planta de Jacareí (SP), após um longo ciclo de paralisação.

A reativação da empresa não ocorre isoladamente, é resultado de um processo complexo de reestruturação. Após anos de crise financeira e recuperação judicial, foi firmado um acordo com trabalhadores e a entidade sindical para viabilizar a retomada e o surgimento da nova Avibras. Esse entendimento inclui a regularização de passivos trabalhistas acumulados desde 2022, período em que a produção foi interrompida e centenas de profissionais ficaram sem remuneração. A volta das operações também prevê uma recontratação gradual da força de trabalho, em fases, refletindo uma retomada cautelosa. 

Avibras Industria Aeroespacial. Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos - Divulgação 

Maior indústria bélica do país, a empresa projeta, desenvolve, fabrica e comercializa sistemas avançados de defesa e soluções espaciais civis, como mísseis, foguetes, veículos e lançadores de satélites. Destaca-se pelo domínio de tecnologias críticas de propulsão e integração de sistemas complexos, conhecimentos altamente sensíveis e cada vez mais valorizados em um cenário geopolítico instável. Essa capacidade sempre posicionou a Avibras como um ativo estratégico essencial, tanto para a soberania brasileira quanto para nações parceiras.

O legado da empresa é sólido. O consagrado Sistema de Artilharia ASTROS, já comprovado em combate e exportado com sucesso, permanece como carro-chefe e símbolo da capacidade tecnológica nacional. 

Sistema ASTROS. Foto: Avibras Aeroco - Divulgação 

Ao longo de sua trajetória, a Avibras consolidou-se como uma das principais desenvolvedoras de sistemas de foguetes e mísseis do hemisfério sul, com atuação relevante em praticamente todos os Projetos Estratégicos do Exército Brasileiro. 

Nesse sentido, a empresa busca avançar no desenvolvimento de novos projetos de alto impacto, como o já conhecido Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), com alcance de 300 km e atualmente em fase de certificação, além do lançamento do novo Míssil Tático Balístico (MTB), com alcance superior a 100 km. Esses programas reforçam o reposicionamento da Avibras Aeroco em segmentos estratégicos de maior valor agregado e elevada complexidade tecnológica.

Sistema ASTROS. Foto: Avibras Aeroco - Divulgação

À frente da empresa está o engenheiro Sami Hassuani, profissional com mais de 40 anos de experiência no setor, que assume como diretor-presidente o desafio de imprimir consistência estratégica, fortalecer parcerias de longo prazo e alinhar tecnologia a propósito. O foco declarado é reconstruir a confiança do mercado, assegurar previsibilidade operacional e atender às demandas soberanas dos clientes.

A retomada da Avibras representa mais do que a reabertura de uma fábrica; trata-se de um marco de resiliência industrial. Após um período crítico, que incluiu paralisação produtiva, crise financeira e significativo impacto social sobre seus trabalhadores, a empresa ressurge possivelmente mais estruturada e com um modelo de gestão renovado, com potencial para resgatar projetos históricos, como o veículo blindado leve Guará 4WS.

Veículo Guará 4WS. Foto: Arquivo Avibras Industria Aeroespacial - Divulgação

A expectativa é que esse novo ciclo da Avibras contribua para revitalizar a Base Industrial de Defesa brasileira e reativar cadeias produtivas estratégicas, especialmente em um contexto de incertezas geopolíticas e restrições orçamentárias das Forças Armadas brasileiras, principal cliente da empresa.

O retorno das atividades reacende não apenas a esperança dos trabalhadores diretamente envolvidos, mas também sinaliza que o Brasil mantém capacidade de preservar e reconstruir ativos tecnológicos sensíveis internamente.

Fonte: Nota oficial da Avibras Aeroco.

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