Exército Brasileiro prepara implantação de drones armados de Categoria 2 e 3
Documento aprovado pelo Estado-Maior do Exército prevê sistemas remotamente pilotados para missões de Inteligência, vigilância, reconhecimento, comando e até de ataque no campo de batalha.
O Exército Brasileiro deu mais um passo importante no processo de modernização de suas capacidades operacionais com a aprovação da Diretriz de Implantação do Projeto Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), integrante do Programa Estratégico Aviação do Exército e Drones.
Aprovado por meio da Portaria EME/C Ex Nº 1731, de 11 de maio de 2026 (Boletim do Exército n° 21/2026 - 22 de maio), a diretriz estabelece as bases para a implantação de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas de médio e grande porte, incluindo capacidades voltadas para missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, aquisição de alvos e até emprego ofensivo.
A iniciativa reforça uma tendência observada nos conflitos modernos, onde drones militares passaram de ferramentas complementares para ativos centrais no campo de batalha, desempenhando funções estratégicas de monitoramento, coordenação e ataque de precisão.
Diretriz de Implantação do Projeto Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP)
De acordo com o documento, o principal objetivo do Projeto SARP é dotar o Exército Brasileiro de sistemas das Categorias 2 e 3, aptos a executar missões de Inteligência, Reconhecimento, Vigilância e Aquisição de Alvos (IRVA); Comando e Controle (C2I e C3I); Apoio às operações terrestres e Ataque/apoio aéreo aproximado.
A diretriz destaca que os sistemas deverão ampliar significativamente a consciência situacional dos comandantes em todos os níveis, permitindo coleta de dados em tempo real, operações contínuas e redução da exposição de militares em ambientes de elevado risco.
Além disso, o emprego de drones permitirá substituir, em determinadas missões, aeronaves tripuladas da Aviação do Exército, especialmente em cenários com ameaça antiaérea elevada.
Um dos pontos mais relevantes do documento é a confirmação de que o Exército pretende incorporar sistemas remotamente pilotados com capacidade ofensiva.
A diretriz menciona explicitamente que os SARP deverão ser capazes de cumprir missões de “ataque, apoio de fogo e apoio aéreo aproximado às Forças de Superfície”, indicando uma clara intenção de desenvolver ou adquirir drones armados para emprego tático.
| Atobá equipado com foguetes guiados a laser FZ602 de 70mm da empresa Thales. Foto/Divulgação: @SA_Defensa (Twitter/X). |
Esse movimento aproxima o Brasil de uma realidade já consolidada em diversas forças armadas ao redor do mundo, onde drones de combate assumem papel cada vez mais importante em operações convencionais e assimétricas.
Outro aspecto estratégico do projeto é a integração dos SARP à estrutura C6ISR da Força Terrestre, conjunto de sistemas de Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento.
Na prática, isso permitirá que os drones operem de forma integrada com outros sistemas do Exército, ampliando a capacidade de compartilhamento de informações em tempo real, coordenação operacional e tomada de decisão.
| Centro de controle do SARP Nauru 1000C. Foto: Centro de Instrução de Aviação do Exército. Divulgação: Xmobots. |
A proposta também prevê integração logística, comunicação satelital e sistemas voltados para operações interagências e apoio à Defesa Civil.
Inicialmente, os sistemas de maior complexidade serão operados pela Aviação do Exército, aproveitando a experiência já acumulada na exploração da terceira dimensão do combate e na operação de sistemas aéreos mais sofisticados.
O Projeto SARP será desenvolvido no Forte Ricardo Kirk, sede do Comando de Aviação do Exército (CAvEx), e terá implementação gradual em cinco fases.
O cronograma prevê a assinatura do contrato de aquisição, o treinamentos com o fabricante, a capacitação técnica no Brasil ou exterior, a construção de infraestrutura caso necessário e aquisição de armamentos. Fora isso, vão acontecer avaliações técnico-operacionais e o emprego operacional propriamente dito em missões reais.
Nesse sentido, o ciclo completo de implantação poderá se estender por aproximadamente cinco anos após a assinatura do contrato principal.
Capacidade estratégica e fortalecimento da dissuasão
A diretriz deixa claro que o Projeto SARP possui caráter prioritário dentro do Programa Estratégico Aviação do Exército e Drones, estando alinhado à Estratégia Nacional de Defesa e aos objetivos de fortalecimento da capacidade de dissuasão do Brasil.
Além da vertente militar, o documento também ressalta o potencial dual dos sistemas remotamente pilotados, incluindo aplicações em: monitoramento de fronteiras; apoio em calamidades públicas; operações de busca e salvamento; missões de apoio à população e cooperação interagências.
Com isso, o Exército Brasileiro sinaliza uma mudança importante na forma como pretende empregar meios aéreos não tripulados nas próximas décadas, acompanhando uma transformação que vem redefinindo os conceitos modernos de guerra e vigilância estratégica.
| Linha de montagem do SARP Nauru 1000C. Foto: Xmobots. Divulgação: Aeroin. |
Uma nova etapa para os drones militares no Brasil, a aprovação da Diretriz de Implantação do Projeto SARP representa mais do que apenas a aquisição de novos equipamentos. O documento marca o início da consolidação de uma capacidade orgânica de drones militares de médio e grande porte no Exército Brasileiro.
Ao combinar vigilância, inteligência, conectividade, persistência operacional e potencial ofensivo, os SARP tendem a se tornar um dos principais multiplicadores de poder de combate da Força Terrestre nos próximos anos.
Caso o cronograma seja mantido, o Brasil poderá entrar em uma nova fase no emprego militar de sistemas não tripulados, ampliando significativamente suas capacidades de monitoramento, proteção territorial e dissuasão estratégica.
Por fim, cabe destacar que essa possível implantação vai de encontro com a nova Política de Transformação do Exército Brasileiro (Veja Aqui), que busca a incorporação de novas tecnologias e a evolução do espaço de batalha, com seus impactos sobre o caráter da guerra moderna.
Fonte: Diretriz de Implantação do Projeto Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) - Exército Brasileiro.
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