SENTIR/SABER: conheça os radares nacionais que estão modernizando a defesa do Brasil

Desenvolvidos pelo CTEx e fabricados em parceria com a Embraer, os radares SENTIR e SABER representam o avanço da indústria nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências regionais em tecnologia militar.

Radares e Sistemas Terrestres da Embraer Defesa & Segurança. Foto: Embraer - Divulgação.

Embraer, em estreita parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), detentor da propriedade intelectual dos sistemas, fabrica e continua expandindo a família de radares nacionais. Atualmente, trata-se de uma linha completa de sistemas de alta tecnologia, totalmente desenvolvidos no Brasil, capazes de atender às demandas do Exército Brasileiro e das demais Forças Armadas em vigilância terrestre, defesa antiaérea de baixa e média altitude, alerta prévio, missões multimissão e, futuramente, contrabateria.

O avanço da Embraer Defesa & Segurança nesse segmento ocorreu após a aquisição da Bradar, a incorporação da sua subsidiária Savis e se intensificou nos últimos anos com a consolidação de uma verdadeira família de radares, reforçando a soberania tecnológica brasileira e garantindo integração nativa com plataformas como o KC-390 Millennium, aeronave do próprio grupo, além de sistemas C4I.

SENTIR M20 – Vigilância Terrestre e Monitoramento de Fronteiras

Radar SENTIR M20 em emprego pela Força Terrestre. Foto: Exército Brasileiro. 

Radar SENTIR M20 é um sistema leve, transportável e de rápida implantação, podendo entrar em operação em menos de cinco minutos com apenas dois soldados. Opera na banda X, possui cobertura de 360°, alcance instrumental de até 40 km e capacidade de detectar, rastrear e identificar mais de 100 alvos simultaneamente.

De propriedade intelectual do Exército Brasileiro, por meio do desenvolvimento conduzido pelo CTEx, o sistema é fabricado pela Embraer e foi concebido para aplicações como o SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), proteção de ativos críticos, operações de contrainsurgência e missões de apoio aéreo aproximado (CAS). O radar também conta com baixa probabilidade de interceptação, recursos de contramedidas eletrônicas e integração com sensores EO/IR.

Em 2025, o Exército Brasileiro homologou o relatório do Teste de Avaliação do protótipo do Radar SENTIR M20.

SABER M60 – Defesa Antiaérea de Baixa Altitude

Radar SABER M60 em operação pelo Exército. Foto: Exército Brasileiro.

SABER M60 foi o primeiro radar operacional da família, sendo um sistema tático 3D de vigilância e controle de tiro com alcance de até 60 km. Atualmente, já possui dezenas de unidades em operação no Exército Brasileiro, na Força Aérea Brasileira e na Marinha do Brasil.

A versão 2.0, recentemente entregue, incorpora melhorias significativas de confiabilidade e desempenho. O sistema integra-se plenamente a armamentos de curto alcance destinados à proteção de bases, refinarias e infraestruturas críticas.

Assim como o SENTIR M20, o SABER M60 é um desenvolvimento do CTEx e foi o primeiro radar 100% produzido no Brasil. O sistema apresenta baixo peso, elevada mobilidade e capacidade de operar nas mais diversas condições climáticas do território nacional. Além disso, também pode ser integrado ao Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA).

SABER M200 Vigilante – Alerta Prévio e Vigilância Aérea

Apresentação do Radar SABER M200 Vigilante. Foto: Exército Brasileiro - Twitter 

SABER M200 Vigilante é um radar tático transportável em banda S, equipado com tecnologia de varredura eletrônica ativa (AESA). O sistema oferece capacidade de alerta prévio com alcance de até 200 km, teto operacional de 15 km e detecção de alvos de pequeno porte a grandes distâncias. Compacto, pode ser transportado pelo KC-390 Millennium e já possui contratos firmados com o Exército Brasileiro.

O projeto do radar também é inteiramente nacional e de propriedade intelectual do CTEx, tendo sido desenvolvido para atender às necessidades do Projeto Estratégico do Exército na área de Defesa Antiaérea.

Nas últimas semanas, durante o Exercício Conjunto ESCUDO-TÍNIA, o Radar SABER M200 Vigilante foi integrado pela primeira vez aos meios da Artilharia Antiaérea e ao caça F-39E Gripen. O objetivo foi avaliar a capacidade do sistema na detecção de aeronaves de última geração.

SABER M200 Multimissão – O Radar de Próxima Geração

Radar SABER M200 Multimissão em desenvolvimento pela CTex em parceria com a Embraer. Foto: CTEx - Divulgação.

SABER M200 Multimissão é o modelo mais avançado da linha. Trata-se de um radar AESA em banda S otimizado para múltiplas missões simultâneas, incluindo defesa antiaérea de médio alcance e suporte a sistemas de armas de maior porte. Sua arquitetura modular permite escalabilidade e integração completa das capacidades da Embraer em um único hardware.

Composto por dois radares com funcionamento independente — um primário (P200) e um secundário (S200D) —, o M200 Multimissão é definido por software e pode desempenhar diversas funções, como busca e vigilância, direção de tiro e controle de tráfego aéreo.

O desenvolvimento do sistema ainda enfrenta algumas barreiras tecnológicas, o que vem provocando atrasos no programa. A expectativa é que, com a aquisição do sistema EMADS, da MBDA, por meio da Itália, seja possível utilizar mecanismos de compensação industrial (offset) para concluir o radar e integrá-lo às futuras baterias do sistema europeu.

Radar de Contrabateria Multifunção – Em Desenvolvimento
Radar de Contrabateria em desenvolvimento. Foto: CTEx - Divulgação.

Em paralelo à família SENTIR/SABER, a Embraer e o CTEx avançam no desenvolvimento do Radar de Contrabateria Multifunção, um projeto estratégico para a Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro.

Baseado em tecnologia AESA, o sistema será capaz de localizar peças de artilharia inimigas por meio da trajetória de granadas, obuses e foguetes. Além disso, oferecerá capacidades multifunção, como detecção de alvos aéreos — incluindo drones — e regulação de tiro amigo.

Em junho de 2024, o Demonstrador Tecnológico de Contrabateria da Artilharia (DTCBia) realizou ensaios bem-sucedidos no CAEx, coletando dados reais de morteiros de 81 mm e 120 mm, drones e tráfego aéreo.

Testes do demostrador de tecnologia do Radar de Contrabateria. Foto: CTEx - Exército Brasileiro.

radar deverá atender a requisitos como detecção automática de engenhos a partir de 60 mm, alcance mínimo de 60 km e classificação de alvos. Sua entrada em serviço colocará o Brasil entre os poucos países com domínio completo dessa tecnologia crítica, fortalecendo a capacidade de dissuasão e de contra-fogo do país.

Por que a Família SENTIR/SABER e o Radar de Contrabateria são estratégicos?

Desenvolvida por meio da parceria entre a Embraer e o CTEx, a linha de radares representa um importante avanço da soberania tecnológica brasileira, reunindo soluções concebidas integralmente no país. Os sistemas oferecem cobertura completa para diferentes cenários operacionais, atuando desde a vigilância terrestre até missões de contrabateria e defesa multimissão, ampliando significativamente a capacidade de monitoramento e resposta das Forças Armadas.

Radar M200 Vigilante em operação. Foto: Embraer - Divulgação. 

Outro destaque é a elevada mobilidade operacional. Os radares foram projetados para emprego tático, podendo ser transportados tanto pela aeronave Embraer KC-390 Millennium quanto por viaturas do Exército Brasileiro, garantindo rapidez no desdobramento em diferentes regiões do território nacional. Além disso, os sistemas passam por um processo contínuo de modernização, com atualizações constantes e novos projetos em desenvolvimento, assegurando adaptação às futuras demandas operacionais.

A capacidade operacional também se destaca pela integração plena com programas estratégicos do Exército Brasileiro, como o SISFRON, os sistemas de Defesa Antiaérea e a Artilharia de Campanha. Nesse contexto, a família de radares consolida o Brasil como referência regional em sistemas de vigilância e defesa, fortalecendo a autonomia nacional, impulsionando a indústria de defesa e ampliando oportunidades de exportação para mercados internacionais.

Fontes públicas: Site Embraer Defesa & Segurança e publicações do CTEx/Exército Brasileiro

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