SISFRON: com prazo empurrado para 2039, Exército busca novo desenho para modernizar o programa

A Força Terrestre criou um Grupo de Trabalho para redesenhar o SISFRON, o seu programa estratégico de monitoramento de fronteiras que já acumula mais de uma década de atraso. 

Equipamentos do SISFRON sendo apresentados em Dourados - MS. Foto: Jorge Cardoso.

O Exército Brasileiro publicou, no Boletim do Exército nº 29, de 17 de julho de 2026, a Portaria EME/C Ex Nº 1.768, de 13 de julho de 2026, que constitui um Grupo de Trabalho (GT) para elaborar um novo desenho do Programa Estratégico do Exército Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Prg EE SISFRON). A iniciativa atende a decisão da 27ª Reunião do Conselho Superior do Exército (CONSURT) e busca atualizar e modernizar um dos principais programas de defesa do país. 

Coordenado pelo Chefe do Escritório de Projetos do Exército, o GT conta com representantes de diversos órgãos: Estado-Maior do Exército (várias subchefias); Departamento de Ciência e Tecnologia; Comandos de Operações Terrestres, Logístico, Militar da Amazônia, Amazônia Oriental, Oeste e Sul; Departamentos de Engenharia e Educação e Cultura. 

O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias, prorrogáveis por mais 30 dias se justificado. As reuniões ocorrem no Quartel-General do Exército, em Brasília, com possibilidade de videoconferência e comunicação via sistemas internos da Força. 

Essa iniciativa representa um importante passo para modernizar o SISFRON, tornando-o mais eficaz, integrado e alinhado às necessidades contemporâneas de defesa das fronteiras brasileiras. A atualização busca reforçar o compromisso do Exército com a soberania e a segurança do nosso território.

O que é o SISFRON?

Sistema móvel de Comando e Controle do SISFRON. Foto: Exército Brasileiro.

O SISFRON é um Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras projetado para monitorar e controlar as 16.886 km de fronteiras terrestres do Brasil, que fazem limite com inúmeros países. Concebido a partir da Estratégia Nacional de Defesa de 2008 e implantado a partir de 2012, ele funciona como um “muro virtual” de alta tecnologia. 

Para tanto, seus principais componentes incluem:
Radares fixos e móveis; sensores óticos e de visão noturna; sistemas de comunicações (incluindo integração com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – SGDC);
Sistemas eletrônicos e centros operacionais em uma arquitetura tecnologicamente unificada e adaptada a ambientes complexos. 

O objetivo geral é dotar o Exército Brasileiro de meios para sensoriamento, apoio à decisão e atuação operacional na faixa de fronteira (Amazônia, Centro-Oeste e Sul), garantindo fluxo ágil e seguro de informações. Isso permite operações isoladas ou integradas com outras Forças Armadas e órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Ibama. 

A necessidade de modernização 

Radar de vigilância terrestre SENTIR M20, desenvolvido no contexto do SISFRON. Foto: Exército Brasileiro.

Apesar de ser um dos maiores programas de vigilância de fronteiras do mundo, o SISFRON enfrenta desafios significativos que justificam a criação do novo Grupo de Trabalho, já que sua execução é lenta e orçamentária limitada. Após mais de 13 anos, apenas três fases foram efetivamente executadas até agora, o projeto original previa conclusão em 2021, mas a última adequação de calendário havia empurrado a implantação plena para 2035, porém esse prazo também se mostra inexequível. O novo horizonte oficial passou a ser 2039/2040, diante da escassez crônica de recursos.

Outro problema é que a tecnologia evolui rapidamente, equipamentos implantados há anos já ficam defasados frente a novas ameaças. Uma modernização ou novo desenho permite incorporar soluções atualizadas, com maior integração de inteligência artificial, drones de vigilância e ataque, além de interoperabilidade com outros sistemas (SisGAAz etc.).

Aproximação com a Turquia 

Visita de comitiva Turca ao Comando Militar do Oeste para conhecer o SISFRON. Foto: COTER.

Recentemente, o Comando Militar do Oeste recebeu uma comitiva turca para compartilhar experiências e fortalecer laços. Os visitantes conheceram o SISFRON, as operações na faixa de fronteira e os meios empregados. Essa visita ilustra claramente a aproximação crescente entre os Exércitos do Brasil e da Turquia, com foco prático em monitoramento de fronteira. 

Nesse contexto, o jornalista Roberto Caiafa comentou em uma de suas lives no canal “Defesa Raiz” sobre as movimentações que ligam a cooperação Brasil-Turquia à possível aquisição ou co-produção de drones turcos, com potencial aplicação no fortalecimento do SISFRON (ou em sistemas complementares de vigilância de fronteira), além do envolvimento da Embraer.

Visita de comitiva Turca a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. Foto: 4bdacmec.

Os drones turcos (reconhecidos no mercado por suas capacidades) poderiam complementar perfeitamente o sistema com: Vigilância persistente em áreas remotas (Amazônia, Pantanal, fronteira Oeste/Sul); Reconhecimento em tempo real; Possibilidade de integração com o ciclo de sensoriamento e apoio à decisão do SISFRON; Capacidade de resposta mais ágil contra ilícitos transfronteiriços, inclusive com a possibilidade de meios armados.

Portanto, abre-se uma janela de oportunidade para o Exército Brasileiro conceber um novo desenho mais realista, modular, priorizado e tecnologicamente atualizado do SISFRON. O atual ritmo de execução torna inviável manter o projeto original, equipamentos e conceitos de quando foi concebido já podem estar defasados diante das novas ameaças. 

No modelo atual, o país pode alcançar parcialmente os objetivos planejados na década passada, mas a obsolescência tecnológica coloca em risco suas reais capacidades no cenário contemporâneo.


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