SISFRON: com prazo empurrado para 2039, Exército busca novo desenho para modernizar o programa
A Força Terrestre criou um Grupo de Trabalho para redesenhar o SISFRON, o seu programa estratégico de monitoramento de fronteiras que já acumula mais de uma década de atraso.
Coordenado pelo Chefe do Escritório de Projetos do Exército, o GT conta com representantes de diversos órgãos: Estado-Maior do Exército (várias subchefias); Departamento de Ciência e Tecnologia; Comandos de Operações Terrestres, Logístico, Militar da Amazônia, Amazônia Oriental, Oeste e Sul; Departamentos de Engenharia e Educação e Cultura.
O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias, prorrogáveis por mais 30 dias se justificado. As reuniões ocorrem no Quartel-General do Exército, em Brasília, com possibilidade de videoconferência e comunicação via sistemas internos da Força.
Essa iniciativa representa um importante passo para modernizar o SISFRON, tornando-o mais eficaz, integrado e alinhado às necessidades contemporâneas de defesa das fronteiras brasileiras. A atualização busca reforçar o compromisso do Exército com a soberania e a segurança do nosso território.
O que é o SISFRON?
O SISFRON é um Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras projetado para monitorar e controlar as 16.886 km de fronteiras terrestres do Brasil, que fazem limite com inúmeros países. Concebido a partir da Estratégia Nacional de Defesa de 2008 e implantado a partir de 2012, ele funciona como um “muro virtual” de alta tecnologia.
Para tanto, seus principais componentes incluem:
Radares fixos e móveis; sensores óticos e de visão noturna; sistemas de comunicações (incluindo integração com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – SGDC);
Sistemas eletrônicos e centros operacionais em uma arquitetura tecnologicamente unificada e adaptada a ambientes complexos.
O objetivo geral é dotar o Exército Brasileiro de meios para sensoriamento, apoio à decisão e atuação operacional na faixa de fronteira (Amazônia, Centro-Oeste e Sul), garantindo fluxo ágil e seguro de informações. Isso permite operações isoladas ou integradas com outras Forças Armadas e órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Ibama.
A necessidade de modernização
| Radar de vigilância terrestre SENTIR M20, desenvolvido no contexto do SISFRON. Foto: Exército Brasileiro. |
Apesar de ser um dos maiores programas de vigilância de fronteiras do mundo, o SISFRON enfrenta desafios significativos que justificam a criação do novo Grupo de Trabalho, já que sua execução é lenta e orçamentária limitada. Após mais de 13 anos, apenas três fases foram efetivamente executadas até agora, o projeto original previa conclusão em 2021, mas a última adequação de calendário havia empurrado a implantação plena para 2035, porém esse prazo também se mostra inexequível. O novo horizonte oficial passou a ser 2039/2040, diante da escassez crônica de recursos.
Outro problema é que a tecnologia evolui rapidamente, equipamentos implantados há anos já ficam defasados frente a novas ameaças. Uma modernização ou novo desenho permite incorporar soluções atualizadas, com maior integração de inteligência artificial, drones de vigilância e ataque, além de interoperabilidade com outros sistemas (SisGAAz etc.).
Aproximação com a Turquia
Recentemente, o Comando Militar do Oeste recebeu uma comitiva turca para compartilhar experiências e fortalecer laços. Os visitantes conheceram o SISFRON, as operações na faixa de fronteira e os meios empregados. Essa visita ilustra claramente a aproximação crescente entre os Exércitos do Brasil e da Turquia, com foco prático em monitoramento de fronteira.
Nesse contexto, o jornalista Roberto Caiafa comentou em uma de suas lives no canal “Defesa Raiz” sobre as movimentações que ligam a cooperação Brasil-Turquia à possível aquisição ou co-produção de drones turcos, com potencial aplicação no fortalecimento do SISFRON (ou em sistemas complementares de vigilância de fronteira), além do envolvimento da Embraer.
Os drones turcos (reconhecidos no mercado por suas capacidades) poderiam complementar perfeitamente o sistema com: Vigilância persistente em áreas remotas (Amazônia, Pantanal, fronteira Oeste/Sul); Reconhecimento em tempo real; Possibilidade de integração com o ciclo de sensoriamento e apoio à decisão do SISFRON; Capacidade de resposta mais ágil contra ilícitos transfronteiriços, inclusive com a possibilidade de meios armados.
Portanto, abre-se uma janela de oportunidade para o Exército Brasileiro conceber um novo desenho mais realista, modular, priorizado e tecnologicamente atualizado do SISFRON. O atual ritmo de execução torna inviável manter o projeto original, equipamentos e conceitos de quando foi concebido já podem estar defasados diante das novas ameaças.
No modelo atual, o país pode alcançar parcialmente os objetivos planejados na década passada, mas a obsolescência tecnológica coloca em risco suas reais capacidades no cenário contemporâneo.
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