Exército aprovou a atualização do Programa Estratégico de Aviação e Drones

Nova diretriz do Exército prevê a substituição do HA-1A Fennec por uma aeronave multimissão de reconhecimento e ataque, a aquisição de helicópteros de ataque pesado e a criação de um Batalhão SARP, com investimentos estimados em R$ 7 bilhões até 2040.

HM-1 Pantera da Aviação do Exército. Foto: Exército Brasileiro - via Twitter.

O Exército Brasileiro deu um passo concreto na modernização de sua capacidade aérea. Em 21 de agosto de 2026, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General de Exército Francisco Humberto Montenegro Junior, aprovou a Portaria EME/C Ex nº 1805, que institui a Diretriz de Atualização do Programa Estratégico do Exército Aviação do Exército e Drones (Prg EE Av Ex/Drones).

O documento atualiza o programa criado em 2017 e incorpora, de forma estruturada, os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP). O objetivo é manter e ampliar as capacidades de aeromobilidade, pronta-resposta e dissuasão da Força Terrestre até 2040, alinhado à Estratégia Nacional de Defesa e ao desenho da Força 40.

A Aviação do Exército, recriada em 1986, já é reconhecida pela participação em exercícios, missões reais e operações conjuntas. Agora o programa busca “terminar o que foi começado”, reduzir a dependência de um único fabricante e alcançar capacidade plena de pronta-resposta.

Estrutura

O Prg EE Av Ex/Drones está organizado em dois eixos principais: a Aviação do Exército (aeronaves tripuladas) e o Subprograma SARP (drones). No eixo da aviação tripulada, destacam-se a substituição da frota de médio porte e aquisição de novas aeronaves de emprego geral e a substituição do HA-1A Fennec por uma aeronave leve de reconhecimento e ataque com capacidade multimissão.

HA-1A Fennec da Aviação do Exército. Foto: Exército Brasileiro.

O Fennec (HA-1A) é hoje o principal vetor leve de reconhecimento e ataque da Aviação do Exército. O programa prevê sua substituição por uma plataforma multimissão mais capaz.

Nesse sentido, espera-se também a aquisição de uma frota de helicópteros de ataque pesado, dedicados a missões ar-solo e ar-ar, para ampliar o Apoio de Fogo de Aviação e o Ataque Aeromóvel. Fora isso, outro objetivo é a incorporação de aeronaves de asa fixa para transporte logístico de pessoal e carga com maior alcance, assim como, a ampliação dos meios de simulação, incluindo Full Flight Simulator.

Drones

No eixo dos drones, o programa é mais ambicioso. O EB prevê a aquisição de SARP categorias 0 e 1 para emprego generalizado na Força Terrestre, a incorporação de SARP categorias 2 e 3 (incluindo armados) ao Sistema de Aviação do Exército, bem como, a criação de um Batalhão SARP (BARP) no Comando de Aviação do Exército, em Taubaté-SP.

Atobá, maior SARP desenvolvido na América Latina. Foto: Stella Tecnologia - Divulgação.

Os drones de maior porte deverão complementar ou substituir parcialmente as aeronaves tripuladas em missões de inteligência, reconhecimento, vigilância, aquisição de alvos, comando e controle e ataque. 


A nova diretriz também exige a interoperabilidade dos drones com o Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre, adotando padrões abertos (STANAG 4586 e 4609).

Orçamento, prazos e organização

O programa será executado em seis tranches até 2040. A terceira tranche está em andamento até 2027. O custo total estimado é de R$ 7.006.875.000,00 até 31 de dezembro de 2040, vinculado à Ação Orçamentária 3138 (Novo PAC).

A gerência fica a cargo do Comandante de Aviação do Exército, com sede no CAvEx, em Taubaté. O programa observa a racionalização de efetivo prevista na Diretriz do Comandante (redução de 6,2% até 2029) e prevê capacitação específica para operação e manutenção dos novos meios.

HM-1 Pantera da Aviação do Exército durante exercício. Foto: Exército Brasileiro.

Entre as restrições apontadas estão a necessidade de aquisições no exterior, a variação cambial e possíveis contingenciamentos orçamentários.

A diretriz ainda prevê ações complementares de modernização de aeronaves existentes, aprimoramento do comando e controle e adequação da infraestrutura, inclusive para o desfazimento de meios que chegarem ao fim do ciclo de vida.

Fonte: Exército Brasileiro - Portaria EME/C Ex nº 1805

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