Exército inicia o processo de teste e avaliação do lote-piloto da viatura Chivunk, 21 anos após o início de seu desenvolvimento

A viatura leve Chivunk, desenvolvida pelo CTEx desde 2005, iniciou a avaliação de seu lote-piloto nas instalações da IDV Brasil. O projeto, destinado principalmente às tropas aerotransportadas, chega a uma nova etapa após mais de duas décadas de desenvolvimento.
Avaliação da VLEGA Chivunk na IDV LATAM. Foto: CTEx
O Exército Brasileiro iniciou, em 3 de novembro de 2026, uma nova etapa do processo de avaliação da VLEGA (Viatura Leve de Emprego Geral Aerotransportável) Chivunk. Desenvolvida pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), a viatura foi concebida para atender às necessidades operacionais das Forças de Ação Rápida, especialmente da Brigada de Infantaria Paraquedista. Entretanto, entre o início do desenvolvimento e a atual campanha de testes do lote-piloto, passaram-se aproximadamente 21 anos, evidenciando a longa trajetória de um projeto que ainda busca avançar rumo à incorporação operacional.

A história da Chivunk remonta a 2005, quando a empresa Columbus foi contratada pelo Exército Brasileiro para desenvolver o projeto e construir seus protótipos. A iniciativa foi gerenciada pelo CTEx, responsável pela concepção e pelo desenvolvimento tecnológico da viatura, enquanto o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) ficou encarregado dos processos de avaliação e aprovação.

Na fase inicial, foram fabricados três protótipos, submetidos posteriormente aos procedimentos de avaliação do Exército. O projeto avançou até a homologação do protótipo, formalizada por meio do Relatório de Avaliação nº 019/11-CAEx.

Protótipos da VLEGA Chivunk em avaliação pelo CAEx. Foto: CTEx

A Chivunk foi concebida como uma viatura de projeto integralmente nacional, com características voltadas à mobilidade e à simplicidade logística. Diversos sistemas e componentes foram compartilhados com a família de viaturas Agrale Marruá, já empregada pelo Exército Brasileiro, uma solução que favorece a manutenção, a disponibilidade de peças e o apoio logístico.

Apesar dos avanços obtidos na fase de desenvolvimento e avaliação dos protótipos, a transição para a produção e a incorporação da viatura não ocorreu de maneira rápida. Posteriormente, foi produzido um lote-piloto composto por dez unidades, etapa que antecede a atual campanha de testes e avaliação.

Protótipos da VLEGA Chivunk em avaliação pelo CAEx. Foto: Columbus 

A VLEGA Chivunk foi projetada para desempenhar diferentes funções no campo de batalha, incluindo transporte de pessoal e material, evacuação de feridos e reconhecimento tático. Sua concepção prioriza a elevada mobilidade em terrenos variados, a simplicidade de operação e a capacidade de acompanhar tropas em operações de caráter imediato.

Uma de suas principais características é a aerotransportabilidade, requisito particularmente importante para as unidades paraquedistas. A viatura pode ser transportada como carga externa por helicópteros ou embarcada como carga interna em aeronaves de transporte.

Protótipo da VLEGA Chivunk sendo transportado como carga externa por um helicóptero. Foto: CTEx

De acordo com as informações divulgadas pelo CTEx, é possível transportar de duas a quatro unidades no C-130 Hercules e de quatro a sete unidades no KC-390 Millennium. Neste último caso, a capacidade máxima está associada a uma solução de empilhamento das viaturas, uma inovação incorporada ao conceito do projeto.

Essas características ampliam as possibilidades de emprego da Chivunk em operações que exigem rapidez de deslocamento e capacidade de projeção de meios terrestres, especialmente em ambientes nos quais o acesso por viaturas convencionais é limitado.

Empilhamento de dois protótipos da VLEGA Chivunk. Foto: CTEx

Em 7 de novembro, o Centro Tecnológico do Exército informou que iniciou, com o CAEx, o processo de Teste e Avaliação do lote-piloto da VLEGA Chivunk. As atividades estão sendo conduzidas nas instalações da IDV Brasil, em Sete Lagoas (MG), empresa agora responsável pelo processo produtivo da viatura.

A primeira fase contempla testes dinâmicos em condições severas de utilização, com avaliações de parâmetros como velocidade máxima, aceleração, transposição de obstáculos, estabilidade lateral e manobrabilidade.

Ao longo de novembro, também estão previstos testes de rodagem no contexto da Avaliação Operacional, com a participação de militares de futuras organizações militares usuárias do veículo. Essa etapa permitirá verificar o comportamento da viatura em condições de emprego mais próximas da realidade operacional, além de confrontar suas características com as necessidades das tropas que deverão utilizá-la.

Avaliação da VLEGA Chivunk na IDV LATAM. Foto: CTEx

Segundo o CTEx, a iniciativa representa o último marco para a validação do projeto e de seu processo produtivo, permitindo verificar a adequação da Chivunk aos requisitos estabelecidos pelo Exército Brasileiro.

O início da avaliação do lote-piloto representa um avanço importante para a VLEGA Chivunk, mas também evidencia a longa trajetória percorrida pelo projeto. Concebida em 2005, a viatura atravessou diferentes etapas de desenvolvimento, construção de protótipos, avaliação e preparação para a produção, chegando somente agora a uma nova fase de testes voltada à validação do lote-piloto.

É importante destacar que o desenvolvimento de um sistema militar nacional envolve desafios tecnológicos, industriais e operacionais. Contudo, um intervalo de aproximadamente 21 anos entre o início do projeto e a atual etapa de avaliação evidencia as dificuldades enfrentadas para transformar uma iniciativa de desenvolvimento tecnológico em uma capacidade efetivamente disponível às Forças Armadas.

Protótipo do VLEGA Chivunk desenvolvido pela Columbus. Foto: Columbus 

Para o Exército Brasileiro, a Chivunk poderá representar um recurso importante para ampliar a mobilidade e a capacidade de transporte das tropas aerotransportadas, particularmente da Brigada de Infantaria Paraquedista. O desafio, a partir de agora, será concluir satisfatoriamente os testes, validar o processo produtivo e avançar para as decisões relativas à sua eventual aquisição e incorporação.

Mais do que a avaliação de uma nova viatura, a trajetória da Chivunk representa um exemplo dos obstáculos que ainda precisam ser superados para que projetos concebidos e desenvolvidos no Brasil alcancem efetivamente as unidades operacionais.

Fonte: Centro Tecnológico do Exército - CTEx e Columbus

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